7.15.2015

Na estante: Caixa de Pássaros

Você já sentiu medo lendo um livro? Já se sentiu mal? Sufocado, impotente, amedrontado? Acho que as melhores histórias são aquelas que arrancam algum sentimento em nós. Sendo mais especifica, quando lemos, decidimos caminhar dentro de outros mundos, estamos deixando evidente que queremos ser tocados. Queremos sentir. Queremos que o autor nos faça praguejar ao sete ventos, que nos faça chorar, sorrir, que nos deixe com o coração mais quente, e com a mente confusa. Nós, leitores, estamos de braços abertos para que as histórias nos devastem. E bem, vamos dizer que "Caixa de Pássaros" faz isso muito bem.
Confesso que precisei de alguns dias para poder me recuperar da minha leitura. "Caixa de Pássaros" não só superou qualquer expectativa que eu criei, como estou a elegendo como uma das melhores histórias que já tive o prazer de ler. Não é surpresa para ninguém que mundos pós apocalípticos sempre carregam boas histórias para contar. Mas as variações podem ser inúmeras e vastas. E "Caixa de Pássaros" é um exemplo brilhante de variação, sem perder em nada para histórias como "Eu Sou a Lenda", "The Walking Dead", entre outros. 

Mas no final, o que faz "Caixa de Pássaros" tão diferente e marcante? Simples: o medo, o terror e o perigo está simplesmente onde não queremos ver, literalmente. Não enxergar a criatura ou seja lá o que ela é, é simplesmente uma opção. Os relatos no livro contam que as pessoas que ficaram loucas e autodestrutivas viram alguém, ou algo. Então você sabe do perigo que ronda a casa, da criatura que está lá fora, ela mexe com sua sanidade e te faz um assassino (de si mesmo e das pessoas ao redor) e sua única arma contra ela é manter os olhos fechados. Isso exige um auto controle  gigantesco. Por mais que a venda ajude, não olhar é totalmente escolha sua.

Acompanhamos a jornada de Malorie, e seus dois filhos, a Menina e o Garoto. Durante toda a história, você vai achar estranho que Malorie se refira a seus filhos por adjetivos, ao invés de nomes, mas é compreensível que, depois de algum tempo vivendo isolados, começarmos a nos desprender de certos costumes. Nomes não eram importantes, sobreviver era. E é assim que Maloria cria a Menina e o Garoto.

Mas Malorie é a protagonista de duas histórias. Uma no presente, e outra 4 anos atrás. A parte interessante, é que além de uma complementar a outra, mas sem deixar obvio, as duas partes te deixa apreensiva e ansiosa. Então, você fica meio dividido entre querer saber o que houve no passado, e o que vai acontecer agora. Você se preocupa com as crianças, e tem medo de Malorie colocar tudo a perder por ser receosa. E quem poderia culpa-la? Por perder tudo e por ser receosa?

Somos apresentados a outros personagens também, temos Tom, o leal amigo de Malorie, Don, um tanto quanto temperamental. Cheryl, Olympia, e Gary, que não tinha como ficar fora, como um dos personagens-apoio mais importante. Acho que por ser um novato, e por ser uma história de terror fantasioso, Josh Malerman se sai muito bem. Josh é cantor e compositor, e é interessante ver até onde uma pessoa que nunca escreveu um livro pode ser capaz de chegar. Isso me faz pensar se algum dia eu conseguiria escrever um livro. Quem sabe?
Eu vi algumas criticas falando que o livro é simples e fraco em certos pontos. A única parte que eu não gostei muito foi do final. Me deixou apreensiva, e, provavelmente, foi o que me fez perder algumas horas de sono. Mas não acho que chegue a ser fraco. O livro é publicado pela editora Intrínseca, e possui 264 páginas. Curto, rápido e assustador. Melhor livro pra um final de semana. :D


Au revoir

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