Na estante: O Visconde Que Me Amava

Toda vez que leio um livro que mexe com minha cabeça como Garota Exemplar, consequentemente eu escolho um livro mais 'leve' para me aventurar. E os livros da serie "Os Bridgertons" são sempre bem vindos nesse requesito. É sempre um prazer voltar a Londres de 1814, desfrutar de bailes e da companhia de damas e cavalheiros da alta sociedade. Ou não, nunca se sabe.
Como de costume, somos apresentados a uma fração da memoria de um dos personagens principais, geralmente de sua infância. E é essa memória que acarretará inúmeros problemas na vida de todos os envolvidos. A história do segundo livro da serie "Os Bridgertons" se mostra bastante semelhante com a do primeiro livro, resenhado já no blog: O Duque e Eu. O que honestamente, me deixou muito decepcionada. Pois comparado ao primeiro livro, a história deixa a desejar. Tanto pelos personagens fracos, como pelo enredo totalmente previsível. Acompanhamos a história de Anthony Bridgerton, o mais velho da família, que decide que é hora de de casar e formar uma família. De outro lado temos Kate Sheffield, a mais velha de sua família também, que está decidida a não se envolver com libertinos e charlatões. E aquela velha história dos opostos se atraindo se repete.
Entre bailes, encontros furtivos, passeios no parque e jantares elegantes, a autora se importa em passar mais romantismo em qualquer gesto, do que a personalidade dos personagens. Uma das coisas interessantes é que Anthony e Kate parecem conhecer a si próprios melhor quando estão juntos do que separados. Sua dúvidas, medos e anseios são melhor resolvidos e confrontados quando o improvável casal compartilha situações ao longo da leitura. O que me faz pensar que eles são almas gêmeas, uma vez que o medo de não estarem juntos ultrapassa qualquer temor retraído em suas entranhas.
Que a sociedade do 1814 era machista, isso é claro, mas definitivamente Anthony Bridgerton é um dos piores personagens que tive o desprazer de conhecer. Inúmeras vezes ele trata Kate como um objeto, e chega a declarar que ela não é 'bonita do jeito certo'. Apesar de entender em que época a história se passa, a autora que escreve os livros vive no século 21. Era de se esperar que ela apontasse outras características em homens e mulheres, uma vez que a imagem da mulher não deveria ter que agradar ou não alguém. Além de colocar Kate sob a sombra de baixa auto estima constante, que precisa ser elogiada pelo homem em questão. Triste.
Mesmo antes, personagens femininas retratadas como fracas, que precisavam que sua imagem fosse 'melhorada' por personagens masculinos e que sempre precisavam serem salvas me incomodava. Por isso, todas as vezes que eu começo um livro, eu torço para que haja personagens femininas que saibam o quão incríveis elas são, sem precisar da aceitação e afirmação de ninguém. Eu torço para encontrar heroínas.
O Visconde Que Me Amava foi lido em uma tarde de domingo chuvosa, e apesar das ressalvas, foi apreciado. Eu tenho mais alguns livros desse serie a terminar, e espero que a autora me surpreenda em suas próximas histórias. Estou ansiosa por isso.

Boa semana, vejo vocês em breve :) 
Au revoir

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