1.15.2015

Na estante: A Menina que Roubava Livros

Houve inúmeras maneiras de começar essa resenha. Mas eu descartei todas elas. Faz três dias desde que eu terminei de ler "A Menina que Roubava Livros", e para ser justa, não poderia estar mais devastada. Eu demorei seis longos anos para começar a ler esse livro, ele ficava me encarando das minhas prateleiras tortas e gastas. Contabilizando as vezes que segurei esse livro sobre meu colo e disse a mim mesma que o leria, foram 17 vezes. E possivelmente foram outras 17 vezes que o segurei para não terminar de lê-lo. "A Menina que Roubava Livros" é uma daquelas histórias simples, que contam os detalhes, e saboreiam o tempo, e você sabe, que um hora ele irá devastar seu coração nas palavras finais, mas você não liga, porque nada, absolutamente nada nesse mundo pode ser mais encantador - e devastador - do que a história da menina que entendeu o poder das palavras.
Nossa protagonista e heroína, Liesel Meminger não foi como tantas outras personagens que já passaram pelas minhas mãos. Eu a vi crescer. É claro, você pode dizer que há outros personagens que nos dão esse vislumbre de envelhecimento, como o Harry. Eu vi Harry Potter crescer ao longo de sete livros, mas com ele foi diferente. Harry e eu crescemos juntos, ao mesmo tempo que o mundo da magia era uma surpresa para mim, era para ele. Quando somos crianças as palavras só precisam ser magicas. Mas quando crescemos, sabemos disseminar o que lemos e ouvimos, e ai está um grande problema.  Eu vi Liesel crescer quando eu tinha 22 anos. Eu sabia o que tinha sido o Holocausto, sabia sobre a Segunda Guerra Mundial, e já vira inúmeras imagens da morte humana pelo nazismo. E com o coração pesado, eis uma breve resenha sobre a vida de Liesel e dos moradores da Rua Himmel, em Molching, na Alemanha de 1939.
A história que me deixou devastada é contada por ninguém menos, que nossa querida Morte. Sim, essa mesmo que você está pensando. E se você quer um vislumbre de como ela se parece, eis aqui uma citação da própria Morte sobre sua aparência - "Você quer saber como sou? Se olhe no espelho." Maravilhoso, não? Com um humor negro, eu poderia dizer que a Morte gosta tanto de Liesel quanto eu. Mas obviamente, ela não se prende apenas a um personagem. A história conta com vários personagens marcantes, como Rudy Steiner o menino com cabelos cor de limão, Hans Hubermann, o papai, que é o responsável por Liesel entender as palavras. Rosa Hubermann, a mamãe, que entre um watschen e outra, realmente ama Liesel. Sem falar no nosso querido judeu com cabelos como gravetos, e por vezes cabelos de penas, Max Vanderburg, o boxeador. E é claro, o Führer, sempre implacável com as palavras. O autor, Markus Zusak, tesse uma linha no passado que desenrola maravilhosos momentos no presente e futuro.
O livro conta com ilustrações 'feitas a mão' e pequenas histórias dentro de histórias, livros dentro de livros, que marcam a autenticidade da sua obra. Partes curiosas que deixam o autor eufórico e curioso são os pequenos fatos que a Morte gosta de nos adiantar. Esses pequenos fatos, faz com que o texto tenha uma estrutura 'diferente' e encantadora. A história contado por Zusak se passa nos anos de 1940 e retrata os civis alemães vivendo em tempos difíceis, o que em momento nenhum minimiza o sofrimento que os judeus sofreram nessa época. Mas notar que mesmo em tempos difíceis a vida consegue nos dar o maravilhosas histórias como a de Liesel, é extasiante.
O livro conta com várias palavras em alemão, que não são traduzidas, o que faz que o texto se enriqueça mais ainda. E cá entre nós, se alemão não tivesse uma grámatica tão complicada, eu arriscava aprender como se pronuncia Anne Frank hehehe. Quem me ajudou com as fotos da resenha foi a Dani! Obrigada, obrigada <3, ficaram ótimas né?

● UMA TRADUÇÃO  
Himmel = Céu





















As consequências dos atos de bondade são os catalizadores dos momentos tristes do livro, mas se eu pudesse ser o autor, não teria mudado nada. "A Menina que Roubava Livros" possui uma das capas mais lindas que já vi, mais um trabalho da Intrínseca, não é surpresa né? Foram 382 páginas relatadas com uma fragilidade surpreendente. Eu queria nunca ter me despedido de Liesel, ou dos moradores da Rua Himmel, mas aqui estou, devastada e apaixonada pela história da menina que roubava livros. E espero que você fique também. 

Au revoir

2 comentários

  1. A resenha foi maravilhosa, quase fui as lagrimas, li inúmeros livros e nenhum me tocou tanto.
    Curiosidade porque levou tanto tempo para ler?

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    Respostas
    1. Sim, sim, esse livro é incrível :) demorei o tempo necessário para ler esse livro, sabe, eu nunca acho que eu deixei um livro passar, e sim que ele foi lido quando deveria ter sido lido :)

      Obrigada pela sua visita :)

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