Cabelo curto e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

[este post está atrasado]
Cortei o cabelo. Passei anos desejando que ele fosse longo, e numa manhã de domingo acordei querendo ele curtinho da silva. Eu tenho um tipo de lista na minha mente com as melhores decisões que eu já tomei na minha vida, e cortar o cabelo tá no topo delas. Eu não pretendo deixar as madeixas crescerem, mas vai que numa manhã de domingo eu mudo de ideia, né? Afinal, ninguém é uma árvore...

Decidi juntar meu corte de cabelo com o filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" num post só, porque desde que assisti esse filme, pensamentos começaram brotar da cachola, e eu comecei a procurar quase que desesperadamente imagens de mulheres com o cabelo curto. Você já assistiu esse filme? Se não, te peço encarecidamente assista. E se eu posso te pedir mais um favor, assista com o áudio original, em francês. :)

Não sei se acontece com vocês, mas as vezes eu enxergo minha vida como uma linha do tempo, e pequenos fatos que marcaram ela. Obvio que eu não lembro de todos, mas recordo de alguns olhares, sensações, e principalmente ações empoeiradas em uma prateleira no canto do quarto esperando para serem remexidas e usadas. Nunca pensei que fosse uma pessoa sistemática, mas analisando a linha do tempo citada acima, eu sou terrivelmente sistemática. É impressionante os caminhos que eu me recuso seguir por não ser de um determinado jeito.
Honestamente, entendo que algumas pessoas possam achar que um simples corte de cabelo mude muitas coisas em relação a pessoa que escreve, mas você está errado. Algumas vezes a pessoa já mudou sua mente e características porém ainda não tinha coragem de expressar isso do lado de fora.
No filme, Amélie caminha entre a imaginação e a realidade quase sem se dar conta, e se diverte mudando pequenos fatos para deixar as pessoas ao redor dela felizes. O que eu achei extremamente encantador e parecido comigo. Minha mania de fantasiar a realidade é o que torna os dias suportáveis e alegres. E me deixa bem humorada. É claro que Amélie sabe que uma hora ou outra, ela terá que olhar para a própria história, e terá que mudar os fatos de sua própria vida para ser feliz. Nunca é tarde.
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain é um daqueles filmes que todas as garotas jovens ou velhas deveriam assistir pelo menos uma vez na vida. É apaixonante na hora certa, e é triste também. Posso te garantir que não vai devastar seu coração, mas vai deixar aquela sensação de olhar a vida com outros olhos, e talvez te convencer a permitir que o vento sopre sua nuca descoberta. É inegavelmente uma ótima sensação.

"Les temps sont durs pour les rêveurs"
"São tempos difíceis para os sonhadores"

Eu demorei um pouco para trazer esse post para o blog porque não tinha certeza do que falar. Foi quando eu percebi que uma das coisas que eu mais faço durante minha vida é mudar. E renascer sempre está atrelado a coisas boas e ruins que já bateram a minha porta. Observar os pequenos detalhes da vida faz com que tudo se torne mais simples e emocionante. Da garota que disse que nunca cortaria os cabelos e hoje os mantém sobre os ombros, vejo vocês em breve. 

Au revoir 

Era uma vez: Emma em Paris

Esses dias  atrás comprei alguns itens de decoração para o meu quarto. Entre eles, uma Torre Eiffel de ferro, com Paris escrito em um de seus lados. Aqui em Porto Ferreira tem Torre Eiffel de tudo quanto é jeito, mas eu nunca quis uma. Mas essa estava com um preço muito bom, então decidi levar pra ver como ficava em meu quarto, e qualquer coisa eu poderia dar pra minha irmã, ou pra minha sobrinha. Bom, eu não sei explicar o porque, mas essa bendita Torre Eiffel ficou linda demais na minha escrivaninha! Mas hoje eu não vou falar sobre meus problemas com objetos de decoração heheh, hoje o post é sobre esse animal selvagem, vulgo bola de pelo, vulgo Emma, que adora mexer onde não é chamada. Com vocês, Emma take the town!

















Emma é praticamente umas modelo, né? Mal humorada, obesa, bola de pelo, e fotogênica! Eu achei que as fotos ficaram super fofas, e decidi compartilhar com vocês :)

Espero que tenham gostado, boa semana  

Au revoir

Awesome Mix Vol. 1

Quantas vezes você se apaixonou mais pela trilha sonora de um filme do que o filme em si? Comigo aconteceu algumas vezes, mas a mais recente é por causa do filme Guardiões da Galáxia. O filme é sensacional, tem ação, humor e dramas heroicos na hora certa, além de contar com uma das melhores trilhas sonoras que já ouvi. E vou comentar um pouquinho sobre ela hoje :) 

[UPDATE] O link com o Full Album dessa trilha sonora saiu do ar, então para quem quiser conferir é só clicar aqui. :) 

O volume 1 do Awesome Mix conta com artistas como Redbone, The Runaways, David Bowie, Jackson 5 e outros artísticas incríveis. A trilha sonora é como uma máquina do tempo, se você não se pegar numa vibe dos anos 70 então escute com mais atenção. Cara, tem Ain't No Mountain High Enough! Nostalgia pura, mesmo para mim que não conhecia alguns cantores e bandas. E devo agradecer muito a esse filme, já coloquei todas as músicas no celular e fico fazendo dancinhas esquisitas pela casa hehehe

Se você me perguntar como a produção do filme conseguiu juntar um ambiente futurista com músicas retro eu vou apenas conseguir dizer que eles foram g-ê-n-i-o-s :D
Existe o Awesome Mix Vol. 2 que é 'encontrando' no final do filme (não, não vou dar spoiler hehe), mas pelo que eu procurei, não existe músicas oficiais nesse fita ainda, apenas uma que toca no final do filme. Eu também li no portal da Rolling Stone aqui do Brasil que o diretor James Gunn fez uma seleção de faixas para o Awesome Mix Vol. 0. Vale muito a pena conferir :)

Fiz as fotos enquanto ouvia Awesome Mix Vol. 1, dancinhas esquisitas e bate cabelo a parte, eu adorei o resultado das fotos :) Mal posso esperar para que vocês ouçam essa trilha sonora hehe, tá incrível gente! 

Espero que tenham gostado!
Vejo vocês em breve :)

Na estante: Os Garotos Corvos

A única coisa que soube quando terminei de ler "Os Garotos Corvos" é que eu precisava da continuação o mais rápido possível. Mas se você mora em cidade do interior e é Domingo, as chances de encontrar o próximo livro são escassas. Sendo assim eu tive que me acostumar com a ideia de esperar alguns dias para poder continuar me aventurando pelas ruas de Henrietta, Virginia Ocidental.
Curiosamente, eu não li a sinopse desse livro. As vezes quando não tenho certeza se gosto do livro ou não, prefiro não ler sua sinopse e descobrir do que se trata a história por mim mesma. As sinopses servem para você conhecer o que vai ler, mas algumas vezes elas simplesmente estragam qualquer mistério. E se tem uma coisa que "Os Garotos Corvos" é, é misterioso. Mistério, intrigas, segredos de família, uma boa dose de geografia e história antiga e personagens cativantes e voilà, o romance perfeito está pronto.
Logo no começo do livro, somos apresentados a Blue Sargent, uma garota que possui uma família um tanto quanto atípica. Maura, sua mãe, Persephone e Calla suas tias e Orla sua prima são médiuns, podem prever o futuro, falar com os mortos, se conectar com os espíritos. Pois é, eu já torci o nariz logo no começo da história, porque não gosto muito de misticismo, mas esse livro me mostrou o misticismo de um ponto de vista diferente, e melhor eu diria. Blue não herdou os dons da família, porém por algum motivo, ela consegue deixar tudo mais intenso, sua presença serve como catalizador, seja na leitura de tarô ou nas suas futuras aventuras.
Também conhecemos Gansey, Adam, Ronan e Noah, garotos que estudam na Academia Anglioby e que apesar de serem amigos eles possuem diferenças sociais e pessoais gritantes, deixando a convivência deles ainda mais interessante. Sim, a autora faz questão de nos jogar 10 personagens em menos de 10 páginas do livro. Pode parecer confuso, mas você vai perceber que isso não é um problema, pois cada personagem possui uma personalidade distinta, os tornando autênticos e muito fáceis de identificar.
A história gira em torno da busca pela linha ley e dos caminhos que ela pode levar. Mas você vai descobrir eventos que fazem com que a aventura se torne única e muito bem contada. Maggie Stiefvater realmente me surpreendeu na construção de todos seus personagens. E pela caracterização de cada um. A história conta com várias lacunas, mas a autora não sente pressa em preenche-las, um dos motivos que fiquei tão intrigada para saber a história nos próximos livros. Eu acho muito bem vindo autores que não tem pressa em contar sua história. Que leve 7 livros ou 4, ou apenas 1, mas que seja coerente e no tempo certo.
















Emma lendo o livro depois de ler minha resenha (Emma sempre é a primeira 'pessoa' a ler minhas resenhas) 
 


Sim, consegui segurar o livro de ponta cabeça para a foto :) 
O livro é classificado como literatura juvenil, mas eu acho que ele pode agradar pessoas mais velhas. Tanto pelo enredo, como pelos personagens maravilhosos. É o primeiro livro da Editora Verus que tenho na minha estante, a capa é igual da versão americana, o corvo desenhado nela parece que foi pintado com pinceladas grossas e rápidas, um trabalho muito lindo. Foram 376 páginas que eu praticamente engoli em menos de uma semana, o livro é simples com uma história incrível a ser desenvolvida. E o próximo livro "Ladrões de Sonhos" chega nas minhas mãos nos próximos dias, mal posso esperar para contar para vocês :) O que acharam? Ansiosos para ler?

Au revoir

Na estante: A Menina que Roubava Livros

Houve inúmeras maneiras de começar essa resenha. Mas eu descartei todas elas. Faz três dias desde que eu terminei de ler "A Menina que Roubava Livros", e para ser justa, não poderia estar mais devastada. Eu demorei seis longos anos para começar a ler esse livro, ele ficava me encarando das minhas prateleiras tortas e gastas. Contabilizando as vezes que segurei esse livro sobre meu colo e disse a mim mesma que o leria, foram 17 vezes. E possivelmente foram outras 17 vezes que o segurei para não terminar de lê-lo. "A Menina que Roubava Livros" é uma daquelas histórias simples, que contam os detalhes, e saboreiam o tempo, e você sabe, que um hora ele irá devastar seu coração nas palavras finais, mas você não liga, porque nada, absolutamente nada nesse mundo pode ser mais encantador - e devastador - do que a história da menina que entendeu o poder das palavras.
Nossa protagonista e heroína, Liesel Meminger não foi como tantas outras personagens que já passaram pelas minhas mãos. Eu a vi crescer. É claro, você pode dizer que há outros personagens que nos dão esse vislumbre de envelhecimento, como o Harry. Eu vi Harry Potter crescer ao longo de sete livros, mas com ele foi diferente. Harry e eu crescemos juntos, ao mesmo tempo que o mundo da magia era uma surpresa para mim, era para ele. Quando somos crianças as palavras só precisam ser magicas. Mas quando crescemos, sabemos disseminar o que lemos e ouvimos, e ai está um grande problema.  Eu vi Liesel crescer quando eu tinha 22 anos. Eu sabia o que tinha sido o Holocausto, sabia sobre a Segunda Guerra Mundial, e já vira inúmeras imagens da morte humana pelo nazismo. E com o coração pesado, eis uma breve resenha sobre a vida de Liesel e dos moradores da Rua Himmel, em Molching, na Alemanha de 1939.
A história que me deixou devastada é contada por ninguém menos, que nossa querida Morte. Sim, essa mesmo que você está pensando. E se você quer um vislumbre de como ela se parece, eis aqui uma citação da própria Morte sobre sua aparência - "Você quer saber como sou? Se olhe no espelho." Maravilhoso, não? Com um humor negro, eu poderia dizer que a Morte gosta tanto de Liesel quanto eu. Mas obviamente, ela não se prende apenas a um personagem. A história conta com vários personagens marcantes, como Rudy Steiner o menino com cabelos cor de limão, Hans Hubermann, o papai, que é o responsável por Liesel entender as palavras. Rosa Hubermann, a mamãe, que entre um watschen e outra, realmente ama Liesel. Sem falar no nosso querido judeu com cabelos como gravetos, e por vezes cabelos de penas, Max Vanderburg, o boxeador. E é claro, o Führer, sempre implacável com as palavras. O autor, Markus Zusak, tesse uma linha no passado que desenrola maravilhosos momentos no presente e futuro.
O livro conta com ilustrações 'feitas a mão' e pequenas histórias dentro de histórias, livros dentro de livros, que marcam a autenticidade da sua obra. Partes curiosas que deixam o autor eufórico e curioso são os pequenos fatos que a Morte gosta de nos adiantar. Esses pequenos fatos, faz com que o texto tenha uma estrutura 'diferente' e encantadora. A história contado por Zusak se passa nos anos de 1940 e retrata os civis alemães vivendo em tempos difíceis, o que em momento nenhum minimiza o sofrimento que os judeus sofreram nessa época. Mas notar que mesmo em tempos difíceis a vida consegue nos dar o maravilhosas histórias como a de Liesel, é extasiante.
O livro conta com várias palavras em alemão, que não são traduzidas, o que faz que o texto se enriqueça mais ainda. E cá entre nós, se alemão não tivesse uma grámatica tão complicada, eu arriscava aprender como se pronuncia Anne Frank hehehe. Quem me ajudou com as fotos da resenha foi a Dani! Obrigada, obrigada <3, ficaram ótimas né?

● UMA TRADUÇÃO  
Himmel = Céu





















As consequências dos atos de bondade são os catalizadores dos momentos tristes do livro, mas se eu pudesse ser o autor, não teria mudado nada. "A Menina que Roubava Livros" possui uma das capas mais lindas que já vi, mais um trabalho da Intrínseca, não é surpresa né? Foram 382 páginas relatadas com uma fragilidade surpreendente. Eu queria nunca ter me despedido de Liesel, ou dos moradores da Rua Himmel, mas aqui estou, devastada e apaixonada pela história da menina que roubava livros. E espero que você fique também. 

Au revoir
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