Quase uma resenha


Quando eu era criança, um dos primeiros livros que eu lembro de ter visto foi "Clássicos Favoritos de Todos os Tempos". Eu era fascinada pela Disney (ainda sou) e apesar de ter ter visto as animações inúmeras vezes, aquele livro era diferente. Havia algo nele que conseguia me transportar para dentro das histórias como nenhuma animação jamais pôde. A impressão do livro era simplesmente linda, as gravuras eram perfeitamente certas.

Mas havia um erro na história, praticamente incorrigível. O maravilho livro de contos não era meu, e nunca seria. Ele pertencia a um amigável vizinho que vez ou outra não se importava em esquecer o livro na minha casa. É divertido pensar em quantas vezes meu nariz se igualou ao do Pinóquio quando eu jurava, por tudo que era mais sagrado, que o livro não estava sob meu domínio. 

Revigorante eu perceber que todas as vezes quando olhar para um nascer do sol, vou me lembrar de Mufasa mostrando a Simba o reino que ele teria o direito de governar um dia. E todas as vezes que meus pés tocarem as areias úmidas da praia, vou saber exatamente como Ariel se sentiu realizando seu maior desejo. Caminhar sobre terra firme. 

Agradeço esse meu continuo contato com livros desde que era criança, fez com que eu não me sentisse sozinha durante 8 anos. De uma maneira ou de outra, os amigos vieram, mais tarde, junto com a música. 

Então quando você cresce e descobre que sua individualidade era também a individualidade de outra pessoa, você sente que em todos aqueles anos nublados e suas dúvidas existencialistas com apenas 8 anos de idade não passavam de timidez constante e medo de mostrar quem você era. 

E sendo completamente honesta, eu não mudaria meus anos nublados de maneira nenhuma. Eu, como grande amante de chuva e de dias cinzas, ainda me pego hoje em dia, preferindo um café quente, com um bom livro, em um cômodo com meia luz.

E relembrando todas as histórias que já li, percebi que a primeira coisa que faz com que nos interessamos pela pessoa é sua capa. E quando digo capa, não estou dizendo uma capa bonita, pois o que é beleza para um, não é para outro. A capa de alguém pode ser decorada, pulsante, ou misteriosa e calma, pode ser cinza, verde, com árvores, flores e frutos, ou pode ser época de estiagem. Então você começa pela sinopse, você vê se seu santo bate com o dela. Você decide se vale a pena ler aquela história, pois com os anos ela pode se transformar em uma serie, e ser um best-seller. Ou pode ser um daqueles livros com a narrativa exaustante, que não empolga nenhum dos leitores, mas que ele continua, até ver o fim. Anos mais tarde, quando os cabelos já forem prateados e suas mãos já possuírem marcas do tempo, haverá aquelas pessoas que se tornaram clássicos, e estarão guardadas na parte mais importante de sua prateleira. São e salvo. 

Au revoir

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