7.27.2014

Quase uma resenha


Quando eu era criança, um dos primeiros livros que eu lembro de ter visto foi "Clássicos Favoritos de Todos os Tempos". Eu era fascinada pela Disney (ainda sou) e apesar de ter ter visto as animações inúmeras vezes, aquele livro era diferente. Havia algo nele que conseguia me transportar para dentro das histórias como nenhuma animação jamais pôde. A impressão do livro era simplesmente linda, as gravuras eram perfeitamente certas.

Mas havia um erro na história, praticamente incorrigível. O maravilho livro de contos não era meu, e nunca seria. Ele pertencia a um amigável vizinho que vez ou outra não se importava em esquecer o livro na minha casa. É divertido pensar em quantas vezes meu nariz se igualou ao do Pinóquio quando eu jurava, por tudo que era mais sagrado, que o livro não estava sob meu domínio. 

Revigorante eu perceber que todas as vezes quando olhar para um nascer do sol, vou me lembrar de Mufasa mostrando a Simba o reino que ele teria o direito de governar um dia. E todas as vezes que meus pés tocarem as areias úmidas da praia, vou saber exatamente como Ariel se sentiu realizando seu maior desejo. Caminhar sobre terra firme. 

Agradeço esse meu continuo contato com livros desde que era criança, fez com que eu não me sentisse sozinha durante 8 anos. De uma maneira ou de outra, os amigos vieram, mais tarde, junto com a música. 

Então quando você cresce e descobre que sua individualidade era também a individualidade de outra pessoa, você sente que em todos aqueles anos nublados e suas dúvidas existencialistas com apenas 8 anos de idade não passavam de timidez constante e medo de mostrar quem você era. 

E sendo completamente honesta, eu não mudaria meus anos nublados de maneira nenhuma. Eu, como grande amante de chuva e de dias cinzas, ainda me pego hoje em dia, preferindo um café quente, com um bom livro, em um cômodo com meia luz.

E relembrando todas as histórias que já li, percebi que a primeira coisa que faz com que nos interessamos pela pessoa é sua capa. E quando digo capa, não estou dizendo uma capa bonita, pois o que é beleza para um, não é para outro. A capa de alguém pode ser decorada, pulsante, ou misteriosa e calma, pode ser cinza, verde, com árvores, flores e frutos, ou pode ser época de estiagem. Então você começa pela sinopse, você vê se seu santo bate com o dela. Você decide se vale a pena ler aquela história, pois com os anos ela pode se transformar em uma serie, e ser um best-seller. Ou pode ser um daqueles livros com a narrativa exaustante, que não empolga nenhum dos leitores, mas que ele continua, até ver o fim. Anos mais tarde, quando os cabelos já forem prateados e suas mãos já possuírem marcas do tempo, haverá aquelas pessoas que se tornaram clássicos, e estarão guardadas na parte mais importante de sua prateleira. São e salvo. 

Au revoir

7.12.2014

Zequenz - Memory Lasts

Aposto que você já ouviu falar de uma marca de cadernos chamada Moleskine, ela é italiana e bem tradicional, é a queridinha dos designs e de qualquer um que adore esboçar ideias e arte. Além de ser tradicional entre escritores também. Eu não fujo muito a regra, tenho uma mania curiosa de desenhar quando estou nervosa, ou quando estou entendiada ou depois de horas lendo. Na verdade, essa mania de desenhar pode aparecer em diferentes tipos de ocasiões. Uma vez enquanto conversava com um amigo, e eu digo, uma conversa realmente interessante, abri meu caderninho vermelho e comecei a desenhar, e enquanto conversava, eu dava sombras a cidade que tinha acabado de criar, com um crepúsculo inacabado. Eu não desenho bem, definitivamente. O que faço é tentar expressar em esboços ruins qualquer tipo de sentimento que está me frustando. E pra isso eu uso meu inseparável Zequenz: Memory Lasts.

Sim, eu sei que citei o Moleskine lá na primeira linha, mas é porque ele é mais conhecido. O Zequenz usa o mesmo tipo de papel, tanto interno, como na capa. Em uma das minhas visitas a Fnac, eu fiquei na dúvida entre qual dos dois levar, optei pelo Zequenz, que é mais acessível, e pra mim pareceu um bom investimento. E não me arrependi nenhum pouco :)

Ele também possui uma característica chamada 360°, o que significa que podemos dobrar o Zequenz em 360° e ele voltará ao normal novamente, simples e prático. 
[Como eu disse, eu não desenho bem, são apenas rabiscos soltos, coisas que desejo, ou coisas que me inspiram :) Acho que a melhor forma de obter pleno sucesso, é quando você é livre para rabiscar como bem entender, só acompanhando os limites da imaginação.]
E outra características marcante do Zequenz, é que você realmente pode carrega-lo em qualquer lugar, pequeno e sutil, é um companheiro e tanto para passeios, museus, viagens, ou lugares mais cotidianos, como seu café favorito, ou a meia hora chata que você tem que esperar pra ser atendido em algum consultório. Teve uma ideia? Rabisca, grava e guarda, ideias estão ai para serem usadas, seja lá em qual hora você vai faze-lo. 
O Zequenz ou o Moleskine podem ser encontrados em inúmeras papelarias, o meu eu comprei em uma loja física da Fnac. Animados para colocar algumas ideais no papel? 

Thanks for coming! :) 

Au Revoir

7.05.2014

A Estrada da Noite


"Uma lenda do rock pesado, o cinquentão Judas Coyne coleciona objetos macabros. Em um estranho leilão na internet o roqueiro arremata o paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono. Mas tudo muda quando o paletó finalmente é entregue na sua casa, numa caixa preta em forma de coração. O espírito do antigo dono do paletó parece estar em todos os lugares, mas o roqueiro logo descobre que o fantasma não entrou na sua vida por acaso e só sairá dela depois de se vingar."


Há alguns anos atrás existiu uma livraria aqui na minha cidade, e foi nela que eu tive meu primeiro contato com Joe Hill. Eu entrei na livraria e pedi ao atendente um livro de terror. E ele me indicou o "O Pacto". Na época eu não comprei o livro, e anos mais tarde eu me deparei com "A Estrada da Noite" em uma das promoções loucas♥♥♥ do Submarino

Jude Coyne é o nosso protagonista, que possui algumas variantes do proprio nome, hora chamado de Judas, por causa de sua banda de Heavy Metal, O Martelo de Judas, e hora chamado de Justin, pelos fantasmas do passado. Tenho que dizer que Jude não é nada simpático, você só começa a se apegar a ele lá pelo meio do livro. E então os fatos se sucedem com um euforia e encaixe perfeito. 

Para ser honesta, eu não lia um livro bom igual a esse desde "As Crónicas de Gelo e Fogo". E depois que você entra em contato com a escrita de George R.R. Martin você fica muito exigente. E Joe Hill me surpreendeu. Primeiro porque ele entende que uma história que se preze precisa possuir personagens secundários. É essencial. 

Os personagens secundários de "A Estrada da Noite" são sensacionais! Desde a namorada de Jude, Georgia, até a vó de Georgia, Bammy, que conta partes macabras de sua infância para o casal. O autor consegue nos mostrar de cada personagem o que precisamos saber, e assim, torcer para que Judas e Georgia permaneçam vivos até o final. E vençam o fantasma do homem morto.

Para quem gosta de cultura americana, esse livro explora um pouco dos costumes sulistas do país. E tem a música, o modo que Jude pensa sobre sua música faz com que ele se sintonize em uma única estação. Música (boa) é hoje, e sempre será um veiculo extremamente influenciável, que pode salvar as mais dispersas mentes.

Joe Hill está de parabéns, e estou ansiosa para ler outros livros dele, mas você poderia esperar menos de alguém que é filho de Stephen King? Você com toda certeza, não pode perder o caminho para essa estrada. :)

Au revoir

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